Cadamŷsí

Nestas veias grassa
mata nativa
e dança o fogo
preto da terra
cum vela branca de mar

Kariri-cangaceiro
trisavô matou-se alguns
carcando cum próprio sangue
a dor de não ser mais um

[Parahyba Siará Piauhy
fronteiras judiciosas
o que é daqui?
mar serra sertão
a mesma face
nimensidão[

Per-manheço
Confederação
dos Cariris.
Na língua do tupi,
ki’riri:
silencio e observo.

Tinta no corpo,
tinta nos pulmões:
ando rôto de palavras.

Soneto ao Rio

por todo lado pedem minibio
como se a vida fosse mesmo mini
e este mundo se acabasse em cine
de devastação ou ICMBio.

desta meada eu te dou o fio
pois minha vida já está online
e este soneto vai com deadline
endereçado a Parnahyba, o Rio.

¿como faremos a nossa guerrilha
com localização sempre visível
aos escravocratas da amazon?

melhor será fundarmos uma ilha
lugar onde não haja um invisível
nem garimpeiro sangrando o Amazonas.

Cocal

§ esta noite me trouxe
a sensação tão boba
de encontrar Bagagem

§ no meio da praça pública:
uma biblioteca sem sistema
sem código em lombada
sem ordem, sem adesivo

§ lindos livros misturados
em estantes do mesmo ferro
do trem que passava
dos trilhos, aqui

§ a bagagem é de adélia prado
e a poesia desta noite simples
não cabe em trocadilhos que estampem camisetas
mas segue gravada em peito
descamisado

§ uma pequena folha me trouxe
pelos cabelos